Ar no Mar

Emergir, flutuar, voar, mergulhar no prolongamento do verbo, na perseguição da palavra...

Fevereiro 16, 2006

Agonizante Silêncio… O Teu Esquecimento!

"Straight Way", de Filipe Santos (Olhares.com)

Vira-o ficar sem palavras e foi então que decidiu fugir de casa, carregando o medo entre dentes para não se sentir só. De um momento para o outro achou-se descalça no meio da rua, sem roupa a cobrir-lhe o corpo procurando com o olhar o décimo segundo andar num prédio que só tinha oito, e tudo isso a deprimia, a fazia ficar assim encolhida a um canto na sala gigantesca, onde as antigas visitas da mãe a olhavam, elogiando a sua beleza e perguntavam o seu nome. Maria Clara, mais tarde M. C. e depois sem identificação, etiqueta em branco, presa ao dedo grande do pé, quando se encontrava em cima da mesa da morgue, com o bom douctor a abri-la e a tentar perceber. Foi depois de ter fugido dele que tudo aconteceu.

As coisas têm sempre um principio, este foi que ele, num acesso desinteressante de qualquer coisa, atirou janela fora um ramo de rosas, que ela podia jurar, mudavam de cor consoante as pessoas da sala. Depois tudo ficou em silêncio e ela olhando-o viu então que ia ficar calado e isso desgostou-a tanto que abriu a porta e saiu a correr para que ele não conseguisse agarrar-lhe os pensamentos, desceu a avenida sempre encostada ao lado direito, rente à parede, por debaixo das varandas, para que não a vissem, trazia uma gabardine por cima da pele, que não lembrava ter vestido, reconheceu-a como sendo dele pelo calor que exalava dela, meteu-se por ruas estreitas e vielas que mais pareciam labirintos que um caminho que a afastasse dele.

Percebeu então que tudo se esquece, tal como na noite em que dormiu com ele pela primeira vez e sentiu uma enorme força, roubando-lhe as memórias e atirando-as certeiras para o país do adormecimento, para nunca mais serem acordadas. Esquecidas as lembranças e os erros com elas, os becos sem saída, escuros e degradantes, faziam agora algum sentido.

Chegou ao rio, sem saber muito bem por onde. Talvez todos os caminhos levem ao rio, para se purificarem. Mas aquele impacto dos olhos batendo na água brilhante do rio produziu nela a maior sucessão de imagens que alguma vez julgou poder sentir, uma explosão inegualável por nenhuma bomba atómica ou asteroíde, contudo, Maria Clara, sentiu nessa noite, que uma enorme pulsar atingira, finalmente, a sua vida. Apanhou o barco para o outro lado, comprou o bilhete, sorrindo ao vendedor e, deixou a carteira em cima da cadeira.

As luzes acertavam no rio com toda a sua dolorosa força e aquela certeza de bem-existir. Depois o barulho da água, o toque, aquela sensação de ser luz e acertar na água com força. Ir ao fundo, num desejo de cair sem perceber porquê, por quem. Cair na confusão criando um tumulto, com as pernas e os pés, ao seu redor para depois acalmar, ser comida pelos peixes, vir à tona, ser devorada pelos homens...

by Ar, 20 de Abril, 1999

Fevereiro 03, 2006

Meia Noite Mitica


Exi(s)t, de Le Borgne (olhares.com)


Estes sapatos magoam-me amor... Trazem-me apertos passados que julgava esquecidos na memória. Imagino que já não me recordes... nem me saibas pés nos sapatos teus... corpo que te habita ainda, deambulante pela nocturna pele.

Invoco-te a instantes de pensamento, caótico, como o pensamento que qualquer obsessão permite.

Sinto ainda o sabor da tua pele salgada por entre os meus dedos. Espaços descontinuos de tempo em que a alma deambula pelos verões da doce paixão do teu corpo...

Engano a normalidade tão bem quanto qualquer louco é capaz. Reconstruo a minha vida a tijolos de ilusão, que restaram depois de teres partido. A esposa, os filhos, a familia, o cão, o trabalho, o carro, os amigos, a depressão dos momentos eternos em que não estás. Depois de ti existe um outro universo inteiro e sei que o habito da mesma forma que um sonambulo habita o sono - um acto continuo de pertença e fuga.

Tu, cadênciada nudez da noite opaca de esse antes, a etérea presença do eu em mim mesmo... Sentindo-te, sentia-me vivo, mortal e eterno... Isto nunca disse e raramente o meu pensamento se confessa neste vazio que vamos enchendo de inspirações e expirações e a que chamamos de vida.

Vi-te no outro dia, reconhecendo-te mais pelo caminhar fugitivo e a essencia obliquoa dos que não se prendem... Ainda tens a beleza fascinante das garças, a doçura conventual de quantos doces saboreei... Não me viste, ocupada que estavas com o carrinho das compras e eu fingi-me ocupado com a escolha de uns iogurtes que não pretendia comprar...

Vi-me depois, alma separada do corpo, debaixo da tortura de o ver, sem poder detê-lo, perseguir-te pelo claustrofobico hipermercado, tecendo considerações sobre os produtos que compravas e sobretudo para quem compravas aquela garrafa de vinho... Tu que não bebias "Deixa-me demasiado desinibida, e depois só faço merda...", tinhas confessado com o arrependimento de algum passado desconhecdo e subjacente.

Sorriste ao pagar as compras, aquele sorriso descarado, descobrindo-te os dentes, rasgando os meus lábios, até então inertes, uma vez mais involuntáriamente...

Regressei a mim, num dar de costas a quem foi contigo, esse ser que era eu e já não podia ser. O altifalante incomodo, anunciava que iam fechar. Dirigi-me a uma outra caixa para pagar as compras, a esposa, os filhos, a familia, o cão, o trabalho, o carro, os amigos, a depressão dos momentos eternos em que não estás...

É sempre meia-noite... tinhas saido, uma vez mais, levando-me contigo sem saberes e como sempre eu regressaria ao universo inteiro que habito da mesma forma que um sonambulo habita o sono - um acto continuo de pertença e fuga.


by Ar, 02 de Abril, 05

Janeiro 08, 2006

O que Há de Real...


Angel's Memories, de Augusto Peixoto (olhares.com)


Vou abrir as asas e navegar...

Soltar-me incandescente
No Oceano, do desejo
Sucumbir
A este quer mais.
Ficar derramada na espuma das ondas...

Erguer-me depois...
Voo da gaivota,
Planando no ar...
O meu destino são estas voltas
Reviro e viro-me no Céu
Desço
Voo picado sobre mim mesma.

Atiro-me ao Mar...

Sou esta pedra que se move.
Sou esta incerteza que as marés cobrem.
Há algas,
No lugar de cabelos,
Prendem-se nos corais
E voltam a escapar-se...
Ergo-me, derrubo-me...

Transporto-me nas ondas
Termino em espuma.
E é sobre a areia que volto ao ar,
Sabendo sempre
Que descerei em voo picado,
Perfurarei como pedra o Mar.
Oceano longinquo
Onde me metarmorfosei-o
E encontro no irreal
O que de real há na vida...

Corais inesqueciveis...

by Ar, 08 de Outubro, 05

Dezembro 31, 2005

Sem Esperança...


Os Teus Lábios Estavam Demasiado Frios..., de Marco Pina (olhares.com)



Vem...
Como se pudesses
Chegar nesse amanhecer
Inconcreto e perdido,
Fazendo vorazes, estes gestos
Já extintos.
Gestos de quem não seremos...

Ultimamente a noite -
Esse incêndio que se quebra
Sempre - parece dissolver
Esbater os segundos circularmente...
Já não sei...
Este tempo ciclico
Encaminha-se para um fim.

Sempre que creio proximo o amanhecer,
É já noite.
Há velas ardendo na penumbra
Densa, a nossa escuridão...
Já não acredito em ti.
Ou talvez não tivesses vindo porque nunca cri.
Sei que não virás...

A Esperança é uma forma de irmandade com a vida,
Essa mesma que reduzo a cinzas...
Sim nem tu! Nem somente tu
Virás
Esperança...



by Ar, 27 de Julho, 05

Dezembro 23, 2005

Anjo das Tuas Respostas


Limite, de (olhares.com)


Ele lera todos os livros do mundo e ouvira e compreendera todas as teorias, que outros homens como ele haviam vomitado para cima da incompreensão da humanidade. Percebera o mundo como sendo redondo e girando em torno do Sol, jamais o contrário, as estrelas e toda a Fisica subjacente a elas nunca o intimidaram, compreendia as leis do Universo da mesma maneira que compreendia o frio ou o calor que sentia, uma pequena impressão na base da nuca voando depois para todo o corpo, preenchendo-o de um vazio estranho e solitário... E apesar de tudo, de toda a verdade, nenhum livro, nenhuma musica, ou lei lhe explicava o estranho sentir desse buraco negro, imenso, que era a sua alma. Ninguém lhe explicava por que choram os homens, nem ninguém o quisera fazer, e ele sentia continuamente o peso de todas as perguntas sem respostas que pelo cansaço já ninguém arriscava e nele saiam fluentemente esbarrando nas paredes solidas da ignorância, recuando, atingindo-o com uma força ainda mais avassaladora, reduzindo-o a pó, como nenhuma frase explicara ser possivel.

Foi num desses momentos de pó que a conheceu. Como que personificando ele a princesa de Turandot, colocou as suas perguntas ao olhar perdido e etéreo dela, um olhar negro e morto, morto como ele jamais imaginara, morto num corpo tão vivo e ágil... Colocou-as sabendo que ninguém as poderia responder. A primeira era uma rasteira, saia-lhe do cérebro com o àvontade trazido pelo habito de muitos anos.

«Porque choram os homens?»

A rapariga, talvez trinta anos mais nova que ele, cujo o olhar morto lhe sorria agora, vivo como um lume forte, não pensou dois segundos sequer, não precisou de mais que meio segundo para deixar aquele homem, que apesar de tudo já não sabia surpreender-se, boquiaberto de espanto, um espanto silêncioso misturado com a arrogância do pensamento que lhe dizia ter sido apenas sorte, não se apercebera da simplicidade das palavras que a rapariga dissera nem de onde vinham...

«Para sonharem que foram feitos à imagem de Deus...»

Não se daria por vencido tão cedo. Havia algo nele demasiado céptico para se render no primeiro instante.

«O que procuram os homens?»

A segunda pergunta deixara nela o desconforto de quem acha o jogo demasiado fácil e por isso não o compreende, mesmo assim não foi menos rápida.

«Uma alma que não seja gêmea da sua, para poderem ser melhores.»

Ele não percebia o que se passava, as perguntas que tinha iam esmorecendo na sua garganta, no seu cérebro perante as respostas que ela lhe sussurrava quase inaudiveis. Não tinha a certeza das resposta que ela dava serem correctas mas preenchiam-no, como se tapassem buracos, todos os buracos negros de todas as suas almas. Chegou então à última pergunta sem dar conta disso, pelo menos a última que lhe restava e ainda estava suficientemente viva no seu cérebro para a puder fazer, uma pergunta sem importância, pequena e ingénua que nunca fizera a ninguém.

«E tu não tens perguntas para mim?»

O olhar da rapariga morreu novamente. Por detrás dos seus cabelos negros como o breu da noite mais escura, surgiram duas longas e sedosas asas de um branco imaculado que lhe permitiram apenas as seguintes palavras antes de a arrancarem da cadeira da esplanada e da paisagem solarenga com o mar ao fundo...

«Meu amor, nós os anjos não sabemos ser homens...»

E esvoaçou para fora do alcance da vista dele. E o homem ficou perplexo e cheio de respostas a perguntas que já ninguém tinha, que ele não poderia dar e acordou...

by Ar, 2000

Dezembro 17, 2005

Este Roseiral de Espinhos...


Fade in, de (olhares.com)

Deixa que regresse
Atravesse este roseiral
Onde apenas os espinhos
Sobrevivem,
E encontra-te depois
Como rosa lenta e suave,
Que perdure na minha pele
O tempo,
Que lhe impeça a velhice...

Deixa sobre ti
Abrirem as mãos
Nas mãos
Um rasgo de horizonte sem céu
Nem limite.
Nas mãos esta perdição
De não saber prender-te
Entre os dedos
Como cordas...

Mas Deixa que regresse
Por instantes apenas
A essa tranquilidade...
O sitio onde encontramos as palavras
E a força de as dizer -
Audiveis palavras
Que não fraquejam -,
Perante o medo,
De se espelhar nesses olhos teus
A realidade inolvidavel
Deste espinho sobrevivente
No roseiral, onde não há rosas.


by Ar, 08 de Agosto, 05

Dezembro 07, 2005

No Momento


sem titulo, de João Garcia

I

Eu não sou isto,
Este reflexo de mim propria.
A sombria mão sobre o pescoço,
Asfixia o lamento e
Transforma todo o corpo em mágoa...

Eu não sou esta lágrima
Que não escorre sobre a pele e
Permanece vaga no olhar que já não me pertence.
A chama estilhaçada pelo vento,
ausente sobre a vela fria.

Em que tempo adormeci?

Regressei para me acordar envelhecida e
Palida, de encontro ao espelho inexistente,
Na visão larga dos meus olhos exteriores
A este nevoeiro...
O reflexo incerto em que não me reflicto

Quem sou neste momento?

Eu não sou este reflexo
Do que sou...
O grito estridente
Deste cansaço.
Deste fracasso, que inaudivel
Me fica na garganta...


II

Calo o que sou.
Olho o refexo na esperança...
Vã, vaga esperança,
De enganar com ele
Isto que sou,
Mais falho ainda,
De maior engano.

Quebrei o espelho, inexistente,
Que ocultava a mentira.
Fragmentei-o,
Dilui-o no sangue dos dedos,
Misturei isto que era
Com o reflexo do que devia ser...
Cobri-o com a minha pele
E dele pouco ficou -
Um rastro...

Eu já não sou o reflexo
Dos anos penhorados
Apenas a nausea verdadeira e legitimas
Destes anos gastos...

by Ar 24 de Junho, 05

Novembro 22, 2005

Queria


Take me Away, de Rita Isabel


Queria...
Se deixasses amar-te
E fosses fiel na crença
Do amor...
Não permitiria
As mãos vazias,
Quando penso assim,
Antes de recordar
Que queria amar-te
Se fosse quem tu querias...


by Ar 30 de Maio, 05


mais trabalhos da autora em Ar no Mar

Novembro 17, 2005


The Unbearable Presence, de Engelica (olhares.com)

Estilhaço o espelho
Soco oco na imagem reflectida
Contra o fogo das lâminas aguçadas.
Atiro o corpo, destrutiva
Carrasca de mim propria e todos os sinais
Assassina da alma
Por entre os escombros férreos.
E agora...

Esta respiração parece-me inutilidade
Esta continuação de pele desprotege-me.
Quero-me por baixo do que me separa da vida
As veias, os tecidos sangrentos e o sangue quente
Simbolos de viada ainda em ser morto!

Conto comprimidos
Deixo-os alinhados sobre a cama
A imagem à mão, no fundo da mente.
O meu pensamento segura a adaga redentora sobre os pulsos.
Abro veias em auência de movimentos.
Tudo quanto me rodeia, fere-me!
A meio da noite quando me acham finjo dormir.
Os sessenta comprimidos letais de Al Berto
são a única ideia que me salva.

Amanhece
Esta noite esquece-se de acabar
Trás-me nocturna com ela
Exilada, abandonada por mim
Atira-me ao ar rodopiante
Afoga-me nas ondas violentas do mar.
Persegue-me
O corpo, os ossos, as visceras
E só então percebo que lhe pertenço...

Luto o escarnio e o ódio.
Estou em revolta
Travo batalhas, imovel.

Se me vires dormir ao anoitecer
Por favor não me acordes...
É longa a batalha quando preenchida de ausência!

by Ar, 29 de Março, 05

Novembro 13, 2005

Os Amantes...


Rosa, de (olhares.com)


Sem o ser
Os amantes, são-no...
Vão reflectindo incandescentes luares
Em noites sem lua, conversadas em silêncio.

Quebram-se
Por entre os dedos
Deixam-se
Sabendo-se regressados já.

Por entre a tinta azul
Através do vidro, reflectem
Rios vorazes que mal nascidos
Morrem no mesmo mar...

Por instantes...
Os amantes não o imaginam
Não o sabem sequer
São-no apenas...


by Ar, 01 de Abril, 05

Novembro 10, 2005

Adeus...

Sinto Vontade de Partir ao Chegar, de Guilherme Dias
Sobre tudo os olhos vagueiam

Incertos, existência de onda quebrando na areia,
Mãos de gesto vagos, desfeitos no ar.
Sobre tudo esta atenção lenta e desatenta...
Despeço-me...

Uma despedida longa, eterna...

Sempre me despeço neste adeus que não digo
Não faço
Despeço-me a cada momento
Presente, passado, futuro
Despeço-me de todos os intantes que passam
Sem me dar sequer conta de que eles vão passando.

De onde este adeus mais velho que eu?

Sobre as flores e o mar e o vento.
Adeus atomos que ferram a existência.
Adeus aos cobres e às espirais de fumo.
Minha alma despede-se sem que a possa impedir
Ou perceber, incompreensivel.

E quando a noite longa me toma o corpo
Imobiliza o pensamento
Não sei sequer de que se despede este meu ser,
Quando todos os momentos se igualam.
Esta areia que escapa por entre os dedos abertos,
Esta forma doida de permanecer despedindo-me
Dizendo adeus com o olhar
Sempre pela ultima vez.
Do que me despeço não sei
Apenas o olhar e a dor
Apenas a ausência e o frio...

No entanto, teimo!
Despeço-me...
Sempre!



by Ar, 26 de Março, 05

Novembro 01, 2005

Momento


Despido, de


Sopra numa onda sobre o mar,
Vento de aqui e agora,
Mistério inerente e oscilante
Cadenciado momento.
"Sorriste...", dizes.
"Nunca aconteceu",
Parece gritar,
Sobre o mar, a tempestade,
Este vento de sempre.
E sempre, aqui e agora...


de Ar, 31 de Outubro, 05

Outubro 29, 2005

Aceitação



A-Sombra Mas me Encanta!, de Ricardo Carioca (olhares.com)


Uso palavras.
Não tenho mais nada. Coloco-as umas após outras, procurando uma continuidade que o meu espirito não possui.

Uso palavras.
Quando esse desejo visceral irrompe urgente dos meus pensamentos e nem um único pensamento arrisca a divergencia.
A morte. Noiva eterna e virginal. O carinho gentil das suas mãos frias. O beijo casto dos lábios gélidos nos meus. A morte, minha fiel e tão ausente amante...

Uso palavras.
Sempre que partes Helena e eu que sei amar-te não sei se sinto o teu abandono, tão habituado a este constante perder. A tudo perder.
Já não sinto.
Recebo com a mesma apatia o teu regresso como a tua partida. Acusas-me a frieza e o descaso. Não sabes nem queres saber o que me obrigou a ser indiferente ao que de mau me acontecia. E eu não sabia que erguendo essa barreira defensiva, recusava também a alegria e a felicidade.
Hoje não sei sentir. Aceito apenas que não sinto nada.

Uso palavras...

de Ar, 30 de Março, 05

Outubro 25, 2005

Poeta...


Poeta, de Angeliser (olhares.com)


O que são as letras de um poeta? Aquelas que escreve em insanos momentos.
São as suas lágrimas ou o seu riso?
São os absurdos sentimentos transformados na mais bela ironia...

Queria ser poeta...
Poeta por um dia, uma hora.
Poeta por um suspiro - um suspiro de alivio...

Ser poeta é ser o mundo onde se caminha. É ter a alma inlamada e nela arder, com gosto por se queimar.
O que são as letras de um poeta?, lagrima ou riso? Não importa. São a alma, a alma que grita, expoem o juizo.
Poeta é o que canta a noite nua, suave e triste, em odor de mansidão.
Poeta é o que retrata o voo da andorinha, suas asas incendiadas de sol, o calor do verão alegre e vivo.
É ter tranquilo na alma o universo. Verdade vaga e absorta. Liberdade de pensar...

de Ar, no longinguo 1994